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Estudo utiliza dados coletados durante a expedição do projeto de extensão da FMUSP à Ilha do Marajó

Uma pesquisa desenvolvida por estudantes da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) com dados da 39ª Expedição da Bandeira Científica, projeto de extensão da instituição, foi apresentada no The International Student Congress Of (bio) Medical Sciences (ISCOMS), um dos principais congressos internacionais de pesquisa em Ciências Biomédicas  voltado a discentes, realizado em Groningen, na Holanda. O estudo foi conduzido pela estudante Lorena Cristina São Leão Ribeiro, atualmente do 4º ano do curso de Medicina, responsável pela apresentação em Groningen, em coautoria com os acadêmicos Davi Borges Viza, Pedro Henrique Docema Rodrigues, Leonardo Batista Guimarães de Souza, Rafael Lara Nohmi e Geovana Orlandi de Souza, sob orientação do Dr. Vitor Ribeiro Paes, conselheiro da Bandeira Científica. 

A pesquisa analisou o acesso aos serviços de saúde da população marajoara a partir das informações obtidas durante a expedição. Entre os principais resultados, 41% dos participantes relataram não realizar acompanhamento regular na Atenção Primária à Saúde; 14,1% aguardavam três meses ou mais por consultas; 21,3% precisaram custear atendimento com recursos próprios; e, entre os pacientes encaminhados para atendimento especializado, 28,7% não conseguiram realizar a consulta.

Para Lorena Leão, apresentar o trabalho no congresso foi uma oportunidade de dar visibilidade internacional aos resultados da expedição. "Levar essa pesquisa para um dos maiores congressos acadêmicos da área permitiu mostrar a pesquisadores e estudantes de diferentes países as desigualdades de acesso à saúde observadas na Ilha do Marajó.
É uma oportunidade de transformar a experiência da extensão universitária em conhecimento científico com alcance internacional", afirma.

A internacionalização da produção científica gerada nas expedições é uma diretriz da atual gestão do projeto. "A Bandeira Científica assiste, mas também produz evidência. O compromisso desta gestão é garantir que os dados de cada expedição não parem no relatório técnico: que cheguem a congressos internacionais, a revistas indexadas e a quem decide sobre política pública. A apresentação que levamos para o  ISCOMS precisa deixar de ser exceção e virar método", afirma Leonardo Batista, presidente executivo da Bandeira Científica.

A Bandeira Científica possibilita que os estudantes vivenciem a realidade da população visitada e transforme essa experiência em evidências científicas. Além de fortalecer a formação acadêmica, amplia a compreensão sobre os desafios do SUS e sobre a importância de produzir conhecimento voltado às necessidades de cada  população.


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