O GRAPAL foi idealizado em 1968, no transcorrer do Curso Experimental de Medicina, na época em que o Prof. Paulo Vaz Arruda exercia a função de coordenador das disciplinas de Psiquiatria, Psicologia Médica e Psicossomática. Esse Curso tinha como objetivo introduzir um novo método de ensino, visando à formação de médicos generalistas. Com classes de apenas 45 alunos, divididos em subgrupos, havia uma convivência muito próxima entre professor e aluno. A participação constante de profissionais da área de saúde mental, durante os atendimentos clínicos, possibilitava uma observação cuidadosa dos aspectos psicológicos presentes na relação médico-paciente.
A proximidade entre alunos e docentes era tão grande que possibilitava a detecção de conflitos ligados à personalidade e ao momento de vida de cada aluno, e das mais freqüentes dificuldades inerentes ao curso médico. Começava, então, a nascer a idéia da criação de um espaço específico para a realização da assistência psicológica ao aluno, que, por ser necessária, já ocorria espontaneamente, mesmo que de forma incipiente, através de reuniões informais dos alunos na casa do Prof. Paulo, que, na ocasião, era muito próxima da Faculdade. O convívio passou a ser íntimo e frutífero, possibilitando uma compreensão mais clara e profunda das vicissitudes pelas quais passam os estudantes de Medicina. Após algum tempo, uma tragédia chocou aquele grupo: um dos alunos mais brilhantes e queridos cometera suicídio. O fato trouxe perplexidade e mobilizou sentimentos de culpa e impotência no grupo e no próprio professor, que, após elaborar esses sentimentos, idealizou a criação de um Serviço que teria a finalidade exclusiva de dar assistência psicológica aos alunos.
Em 1976, foi extinto o Curso Experimental e com isso foi adiada a concretização da proposta até 1983, ano em que foi elaborado o projeto de reformulação curricular, pela Comissão de Ensino de Graduação da FMUSP. Por estarem participando desse projeto os ex-professores do Curso Experimental, Prof. Paulo Vaz Arruda e Prof. Eduardo Marcondes, este último presidindo a Comissão, foi retomada a idéia da criação de um Serviço cuja finalidade exclusiva fosse a de dar assistência psicológica ao aluno. A participação do representante discente na Comissão de Ensino foi muito importante, assim como o apoio dado à idéia pelo então Diretor da Faculdade, Prof. Silvano Raia. Ainda em 1983, foi aprovada a criação do GRAPAL pela Congregação da FMUSP. Três anos depois, em março de 1986, com a contratação de Luiz Roberto Millan (Psiquiatra e Psicanalista) e de Marina Barbedo (Psicóloga), foram iniciadas as atividades do GRAPAL, com a ajuda do Centro Acadêmico Oswaldo Cruz, que cedeu uma de suas salas para a realização de entrevistas, atendimentos clínicos e psicoterapêuticos, durante os seis primeiros meses de trabalho, até que fosse possível conquistar um espaço adequado para o Serviço.
Propositadamente, no intuito de estabelecer um setting adequado, foi decidido que o Serviço estaria vinculado à Diretoria. Os profissionais que nele atuariam não seriam docentes para não confundir duas funções que são incompatíveis: a didática e a terapêutica. O Serviço deveria localizar-se nas dependências da Faculdade, favorecendo assim o acesso dos alunos. Ficou também determinado que os profissionais do GRAPAL não exerceriam papel pericial com a finalidade de selecionar quais alunos estariam aptos emocionalmente para cursar a Faculdade. Evidentemente, tal função traria um clima persecutório que tornaria inviável o funcionamento do GRAPAL. O outro ponto fundamental foi o estabelecimento de normas que garantissem o sigilo, como, por exemplo, a criação de códigos para serem utilizados nos prontuários, evitando assim uma eventual identificação do aluno por pessoas não vinculadas diretamente ao Serviço.
O GRAPAL oferece assistência aos alunos da FMUSP e aos médicos Residentes do Hospital das Clínicas. Anualmente os primeiranistas são convocados por carta para uma entrevista individual, ocasião em que entram em contato pela primeira vez com o Serviço e ficam a par de seu funcionamento. Essa é também uma oportunidade para que os profissionais do GRAPAL conheçam os alunos e para lhes oferecer uma assistência inicial quando necessário. A partir de então, a procura passa a ser espontânea ou a pedido de algum docente.
Durante os vinte anos de atividade, foram realizados mais de quinze mil atendimentos, incluindo consultas psiquiátricas, sessões de psicoterapia, orientação familiar e grupos de reflexão sobre identidade médica e relação médico-paciente. Além disso, o coordenador do Grupo participa das reuniões da Comissão de Graduação, buscando contribuir para o aprimoramento do currículo médico.
Integrantes do GRAPAL:
Paulo Vaz Arruda
(coordenador)
Luiz Roberto Millan
(psiquiatra e psicanalista)
Emmanuel Nunes de Souza
(psiquiatra e psicanalista)
Eneiza Rossi
(psicóloga)
Orlando Lúcio Neves De Marco
(psicólogo e psicanalista)
Vera Angela Belia Tancreda
(secretária)
População alvo:
Alunos da FMUSP (medicina, fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional) e médicos Residentes do Hospital das Clínicas da FMUSP.
Horário de atendimento:
de segunda à sexta-feira, das 10:00 às 14:00 hs. Os atendimentos podem ser marcados por telefone ou diretamente no Serviço.
Livros publicados pelo GRAPAL:
O universo psicológico do futuro médico, de Luiz Roberto Millan, Orlando Lúcio Neves De Marco, Eneiza Rossi e Paulo Corrêa Vaz de Arruda, Casa do Psicólogo, 1999.
Vocação médica, um estudo de gênero, de Luiz Roberto Millan, Casa do Psicólogo, 2005.
Local: Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Av. Dr. Arnaldo, 455, 20 andar, sala 2255, CEP: 01246-903, Fone 3061-7235 e-mail: grapal@usp.br