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Histórico

A Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo: os primeiros tempos de sua criação 1912-1950
A Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo: os primeiros tempos de sua criação 1912-1950

André Mota
Maria Gabriela S.M.C.Marinho

Diante das demandas técnico-científicas consubstanciadas no dia a dia dos seus primeiros anos, a Faculdade de Medicina e Cirurgia de São Paulo, criada em 1912 e implantada a partir de 1913, não descuidou de desenvolver suas tradições e erigir símbolos, neles respaldando a força paulista que deveria representar, devendo tornar-se, antes de tudo, um dispositivo formador das elites e para tanto amalgamar no indivíduo que ali ingressasse conteúdos científicos e políticos. A produção científica dessa escola médica acabou ganhando força explicativa não apenas para as demandas corporativas e tecnológicas do estado, mas para erigir, igualmente, aquilo que Eric Hobsbawm chamou de invenção das tradições. Para a posteridade caberia, portanto, assinalar o seu nascimento como balizado pela competência e heroísmo de seus pares, decorrência de uma força paulista vinda dos tempos dos bandeirantes, capaz de assegurar para a “Casa de Arnaldo” vida e reputação como lócus das melhores almas e cabeças, instituindo uma “medicina genuinamente paulista” numa verdadeira “terra de gigantes”.

Dr. Arnaldo Vieira  de Carvalho
Dr. Arnaldo Vieira de Carvalho

No contexto da superioridade e da hegemonia de São Paulo, ainda hoje cristalizado no interior da escola e de seus representantes, as contradições do cotidiano, da vida e da prática política oferecem outras dimensões explicativas para seu surgimento. Nuances das rupturas e permanências de sua institucionalização permitem que se reconstrua em seus acidentes uma história que primeiro foi narrada como linear, progressista e grandiosa por sua produção científica e formação corporativa, mas que é possível identificar desvios, atalhos, acordos, disputas e contradições, afastando consequentemente as lentes ilusionistas da paulistanidade.

Nesse sentido, a Faculdade de Medicina e Cirurgia de São Paulo, escola oficial, começou por organizar os cursos e contratar professores em uma perspectiva modernizadora da ciência médica. Montou o curso preliminar de um ano e outro geral de cinco anos, com um total de 28 cadeiras, conforme as normas legais e oferecendo, em suas divisões, duas cadeiras que não existiam nas cláusulas federais: a clínica oftalmológica e a clínica otorrinolaringológica. As aulas começariam em 15 de março de 1913 e se encerrariam em 10 de novembro de cada ano, sendo permitida a entrada de ambos os sexos, com a exigência para ingresso do diploma conferido pelos ginásios oficiais do Estado ou de aprovação em exame de admissão.

O diligente e prestigiado diretor da nova instituição, Arnaldo Vieira de Carvalho, protagonizaria a concepção, implantação e aperfeiçoamento do ensino médico paulista. Segundo sua orientação, o ensino deveria ter base científica e experimental, com destaque para a pesquisa e os estudos laboratoriais, em contraposição ao modelo que predominava nas outras faculdades de medicina do país, com aulas teóricas e ênfase na clínica. Para a consecução desse projeto, São Paulo deveria dispor de aparato físico e intelectual que correspondesse a tamanhas exigências – prédios, laboratórios, alunos com preparo escolar à altura dos exames aplicados, corpo docente organizado para o ensino de suas cadeiras -, além da luta, em âmbito federal, pelo reconhecimento dos diplomas. O esforço empreendido não dirimia a dúvida entre os médicos: a Faculdade estaria sendo erigida dentro dos padrões de qualidade e conforme as exigências técnico-científicas postuladas por eles próprios?

Em seus primeiros anos a Faculdade de Medicina enfrentava problemas graves e consequências desastrosas, revelam os ofícios encaminhados ao Secretário dos Negócios do Interior. Grande parte dessas dificuldades se manifestava no dia a dia: precariedade das instalações e da aparelhagem, deficiência do corpo docente, despreparo dos alunos ingressantes. Na troca de correspondência, expunham-se os descaminhos dos bastidores.

A primeira sede provisória da Faculdade de Medicina e Cirurgia, instalada na Escola de Comércio Álvares Penteado, no Largo São Francisco, região central da cidade havia sido cedida pela ação direta de Arnaldo junto à diretoria daquela instituição. A benevolência de administradores, que cediam locais para aulas, não obscurecia os problemas que se avolumavam com o desdobramento das turmas. Espaços insatisfatórios, péssimas instalações, tamanho reduzido das salas. Um ano depois, parte dos cursos seria transferida para instalações adaptadas de um antigo solar da rua Brigadeiro Tobias, às quais se somariam mais tarde duas outras edificações vizinhas, que se manteriam como sede até 1930. As precárias condições iniciais vinham sendo reveladas pelo diretor da faculdade em suas constantes manifestações oficiais ao governo do Estado: a casa atual, apesar de velha, é insuficiente para abrigar os cursos em exercício. Ela não poderá receber as novas cadeiras a serem estreadas no ano escolar de 1916, insistia Arnaldo Vieira de Carvalho junto à Secretaria do Interior.

Os registros da Santa Casa demonstravam a precariedade de um cotidiano penoso. Segundo o próprio Arnaldo, os 480 leitos poderiam cumprir as condições mínimas, mas no dia-a-dia o número de doentes internados e consultados excedia o número de vagas. Em 1914, depois vários ofícios sem resposta sobre a situação da Santa Casa, Arnaldo, em tom de embate, mandou fotografar as condições de atendimento e enviou para autoridades as fotografias que deveriam confirmar os relatos:

Para ver V. Exa. não haver exagero em minhas afirmações, remeto junto fotografias das enfermarias da Santa Casa tiradas justamente no momento do serviço médico. Por aí verá V. Exa. o ponto a que chegamos, atingindo quase as raias do crime, consentindo tal aglomeração de doentes.”

Somava-se a esse quadro, o encerramento, em 1917, das atividades da Universidade Livre de São Paulo (ver verbete), que abrigava uma escola particular de medicina desde o início de seu funcionamento em 1911. O fechamento e a consequente transferência dos alunos para a escola oficial agravaram a superlotação nos cursos, extrapolando a já exígua capacidade. Para equacionar as duas questões - precariedade da Santa Casa e o aumento do número de alunos - recorreu-se medida drástica: redução do corpo discente. Segundo avaliação de Arnaldo, “o remédio único para o caso seria construir os prédios indispensáveis para nossa Faculdade, coisa também difícil no momento que passa. Assim sendo, como remédio de ocasião, para evitar acúmulo, torna-se necessário limitar o Governo o número de alunos a recebermos anualmente. Esse número deve ser de cinquenta para o Ano Único do Curso Preliminar.

A cidade sofria do “inchaço urbano”, com enorme contingente populacional vivendo em cortiços e nas periferias próximas ou distantes, assoladas por doenças, escassez de saneamento e de qualquer aparato de proteção social. A Santa Casa expunha em suas mazelas o desinteresse e a desassistência em um ambiente urbano cada vez mais complexo e crivado por demandas crescentes. Assim, a precariedade das instalações e do atendimento acompanhariam por muito tempo o ensino clínico da Faculdade de Medicina. O primeiro sinal de mudança no quadro desolador viria com os acordos assinados entre a Fundação Rockefeller e a Faculdade de Medicina a partir de 1918 e na década de 1920, mas cuja execução final teria que esperar até 1944, quando de fato seriam inauguradas as instalações daquele que deveria ser um hospital-escola modelo, o Hospital de Clínicas.

A construção do Hospital das Clínicas: “o maior da América do Sul”.

Quando, sob forte oposição interna, Pedro Dias da Silva, médico particular do então governador Carlos de Campos, formado pela Faculdade de Medicina da Bahia assumiu a diretoria da Faculdade de Medicina de São Paulo em 1924, o mesmo recebeu um pesado encargo: assegurar as reformas internas que mudariam de modo radical os estatutos da escola e viabilizariam, enfim, os acordos com a Fundação Rockefeller que vinham se arrastando desde a morte de Arnaldo Vieira de Carvalho em junho de 1920.

Os recursos que iriam transformar a estrutura da faculdade paulista exigiam que seu regulamento introduzisse o numerus clausus (limitação do ingresso de alunos), tempo integral para os professores nas disciplinas pré-clínicas e a construção do hospital-escola como contrapartida do governo do Estado. Vencidas as resistências do grupo de professores que apostavam no fracasso do novo diretor, Pedro Dias conseguiu articular a mudança dos regulamentos mediante a votação pelo congresso estadual das leis nº 2016 de 26 de dezembro de 1924 e nº 2128, de 31 de dezembro de 1925, que aprovaram o decreto nº. 3874, de 11 de julho de 1925.

Aprovada a legislação, o congresso autorizou a abertura de crédito especial de 2.000 contos para o início da construção do hospital, devendo perfazer 6.000 contos de acordo com o presidente do Estado, Carlos de Campos. A Faculdade de Medicina constituiu uma comissão para estudar as melhores alternativas para o projeto da escola e do hospital e definiu para compô-la os professores Benedicto Montenegro, Ernesto Rezende Puech e Ernesto de Souza Campos. A comissão viajou, em 1926, para os Estados Unidos, Canadá e Europa, visitando cerca de duzentos institutos médicos, laboratórios de investigação científica e unidades hospitalares que foram minuciosamente observados em relação aos serviços prestados e às atividades em biotérios, casas de força, lavanderias, ventilação, refrigeração, manutenção entre outros.

Mais tarde, em diversos estudos sobre hospitais de grande porte realizados por Rezende Puech, a importância de uma unidade hospitalar dessa natureza deveria, nos chamados casos agudos, restituir rapidamente o doente à vida social, verificando-se que os casos crônicos prolongariam demais a estadia do doente em unidades hospitalares. Para tanto, propunha que o chamado Hospital Central ou Geral fosse reservado para casos agudos. Os casos crônicos, ou nos agudos de convalescença prolongada, deveriam os doentes ser removidos para hospitais especiais.

De volta ao Brasil, depois da longa viagem pelos centros médicos internacionais, o estudo para a construção do Hospital das Clinicas, hospital-escola modelo, ficou especialmente a cargo de Rezende Puech para ser executado, com esmero e denodo, no escritório técnico de obras da Faculdade. Pelo estudo, foi calculado para cada clínica da faculdade - médica ou cirúrgica - um serviço interno com 70 leitos (quarenta para homens e trinta para mulheres) e um ambulatório para atender diariamente 50 pacientes. No total, previa-se capacidade de mil leitos.

A ascensão de Getúlio Vargas ao poder reorientou a conjuntura política do país e de São Paulo em especial. A centralização e a retirada de autonomia das instituições médicas e científicas do estado, reunidas em torno de algumas instituições do governo federal, se radicalizaram com a criação do Ministério de Educação e Saúde Pública em 1931, que passaria a articular políticas unificadas com o objetivo de construir um aparato governamental capaz de atuar no território brasileiro, coordenando ações em níveis federal, estadual e municipal.

Para São Paulo, o ano de 1932 representou a vocalização ostensiva e ferrenha da oposição médica à política varguista. A resposta governamental, igualmente feroz, se fez em várias frentes: a desarticulação do projeto médico-sanitário vigente com a tomada do prédio da Faculdade por forças federais e a tentativa transformar o Instituto de Higiene, em 1931, num quartel militar. O processo de desmanche culminaria com demissões na Faculdade e a “dança das cadeiras” em sua diretoria. No mesmo contexto, uma nova escola médica acabou por dividir a cena com a faculdade mais antiga, com a criação da Escola Paulista de Medicina (ver verbete), em 1933, na esteira das cisões, dos embates e das paixões políticas dos grupos locais.

Em 21 de setembro de 1937, o interventor José Joaquim Cardoso de Mello Neto (cargo exercido período de janeiro de 1937 a abril de 1938) recebeu o Conselho Técnico da Faculdade de Medicina para comunicar que incluiria no orçamento de 1938 a verba de 3.000 contos destinados ao início das obras. Quando Adhemar de Barros, também médico, assumiu a interventoria em 1938, de pronto se dirigiu ao professor Rezende Puech, que se exonerava do cargo ocupado na Assistência Hospitalar do Estado. Ao conceder a exoneração inseriu o convite para assumir a construção do hospital, antecipando alterações no projeto original de Puech.

Desse modo, sua atuação começou a ser erigida no sentido de lhe conferir o lugar de “idealizador e construtor” do Hospital das Clínicas. Um livreto intitulado Hospital das Clínicas: a grande e humanitária realização do Sr. Adhemar de Barros, narrando a deficiência dos serviços hospitalares em São Paulo e seus esforços no sentido de construir um novo hospital, pontificava:

(...). Sua obra de assistência social no setor sanitário-hospitalar é das mais notáveis não apenas pelo vulto do seu plano, como por aquilo que já está incorporado ao patrimônio das grandes realizações paulistas. Tal empreitada dá bem uma ideia da generosa concepção que o chefe do executivo paulista tem da missão que, em São Paulo, lhe confiou o eminente criador do Estado Novo, Sr. Getúlio Vargas.

Odair Pacheco Pedroso havia sido nomeado por Fernando Costa, interventor federal em 1943, para, em comissão, exercer o cargo de superintendente daquela instituição hospitalar. Na mesma ocasião, seriam nomeados Enéas de Carvalho Aguiar no cargo de Assistente Administrativo, Israel Alves dos Santos e Antenor Soares Gandra como assistentes-médicos do Superintendente do Hospital das Clínicas. Posto à disposição do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de São Paulo, Antenor Soares Gandra era médico-auxiliar do Departamento de Profilaxia da Lepra, na Secretaria da Educação e Saúde Pública.

Por decreto de 9 de novembro de 1943, o cargo de Superintendente do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina foi considerado vago com a renúncia de Odair Pacheco Pedroso, preenchido em seguida por Enéas Carvalho de Aguiar. O dia 19 de abril, aniversário de Getúlio Vargas e data alusiva ao Exército brasileiro, no ano de 1944, sob a interventoria de Fernando Costa, foi reservado para inauguração do Hospital das Clínicas.

Um fato interessante no processo de institucionalização do Hospital das Clínicas referia-se ao desafio de, num hospital de grande porte, aliar especialidades médicas ao ensino e, ao mesmo tempo, descentralizar parte de sua estrutura hospitalar. Almejava-se implantar demandas profissionais especializadas, o que, por sua vez, exigia que se consolidasse a formação médica através dos cursos ministrados pelos professores da Faculdade de Medicina. Nessa direção, a 11 de abril de 1944, Enéas de Carvalho Aguiar mandou publicar no Diário de São Paulo os vencedores dos concursos para Médicos Internos e Adjuntos do Hospital: como internos figuravam Antonio Cardoso Franco, Silvio Vergueiro Forjaz, Ari do Carmo Russo e Saturnino Antonio Cintra Franco. Para adjuntos foram contratados Paulo Gonzaga Arruda e Ennio Cosimo Damião Barbato.

A partir de então, os jornais seriam pródigos em noticiar a instalação de diversas clínicas, registrando como o Hospital ganharia rapidamente capilaridade na assistência e atendimento, por meio de suas especialidades e laboratórios. Assim, sucederam-se, em fevereiro de 1945, diversas instalações como a Clínica Neurológica sob o comando de Adherbal Tolosa, em março, a Clínica de Urologia, dirigida por Luciano Gualberto, em maio, a Clínica Médica de Almeida Prado, então exercida na Santa Casa de Misericórdia, somando em pouco tempo mais de dez clínicas em funcionamento no Hospital, com verba anual de 30 milhões de cruzeiros.

Desdobramentos no campo laboratorial também podiam ser acompanhados em abril de 1946, com a inauguração do Banco de Sangue e de Plasma Baxter. Com esse método, a coleta de sangue e a separação do plasma passou a ser realizada inteiramente ao abrigo do ar, por meio de frascos providos de vácuo suficiente para aspirar sangue diretamente da veia do doador.

Dentre as áreas que requisitavam a construção de novas instalações, independentes do Prédio Central, o Hospital da Clínica Psiquiátrica (ver verbete) tornou-se um caso emblemático. O projeto para a construção de uma unidade descentralizada foi aprovado no ano de 1944 e seria dirigido pelo psiquiatra Antonio Carlos Pacheco e Silva, antigo diretor do Hospital do Juquery. O edifício projetado teria capacidade para 150 leitos, com espaço ambulatorial para a triagem dos pacientes, consultórios especializados para casos de esquizofrenia, neurolepilepsia, psiconevroses entre outros. 

Foram projetados também sala de estar e de repouso para os pacientes submetidos às terapêuticas de eletrochoque e salas de demonstração para os alunos se familiarizarem com as novas técnicas empreendidas, como a malarioterapia, convulsoterapia pelo cardiazol e pelo eletrochoque, hibernação e psico-cirurgia, além da Biblioteca, Museu e um anfiteatro para 150 pessoas.

Ao longo das décadas de 1940 e 1950, intensificariam se transformações corporativas ligadas à formação do médico especialista, conferindo ao pensamento clínico um lugar cada vez mais amplo frente às questões médicas e de saúde pública. Nesse sentido, instituíam-se em São Paulo ações que modificariam a estrutura médico-sanitária vigente, então considerada importante pilar do poder oligárquico dominante, ao mesmo tempo em que se buscava um ideário apropriado para a nova conformação profissional. Como notou Merhy, apoiado nas categorias conceituais da tecnologia do trabalho em saúde, abria-se espaço para uma organização dos serviços em saúde por problemas específicos, verticalmente administrados, utilizando-se de todos os instrumentos das campanhas e da educação sanitária da medicina curativa.

Ao adentrar os anos de 1950, o Hospital das Clínicas aprofundaria os conhecimentos produzidos pelas especialidades e a criação ou consolidação dos centros e institutos correlatos que passariam a compor o complexo hospitalar. Ao mesmo tempo, São Paulo entrava em um novo patamar histórico em que a industrialização, os aparatos e o discurso da modernização invadiriam o cotidiano hospitalar, exigindo da corporação médica e de profissionais da saúde diferentes níveis de compromisso e engajamento nos destinos da instituição.

Os números apresentados pelo Arquivo Médico do Hospital das Clínicas em 1950 assinalavam a demanda crescente e demonstravam o ritmo acelerado de crescimento populacional, ao lado da escassez de infraestrutura hospitalar. Cinco anos depois de inaugurado, o Hospital documentou a passagem de 50.960 pacientes registrados, assim distribuídos: Serviço de Pronto Socorro: 4.090; Clínica Ortopédica e Traumatológica: 3.822; Clínica Obstétrica: 1.963; Clínica Cirúrgica: 1.014; Clínica Ginecológica: 714; Clínica Urológica: 452; Clínica Dermatológica e Sifiligráfica: 243, Clínicas Neurológica: 242; Clínica Otorrinolaringológica: 207; Serviço de Endoscopia: 88; Serviço de Oftalmologia: 376; Serviço de Queimados: 312; Clínica Pediátrica: 232; Serviço de Moléstias da Nutrição e Dietética: 84, Serviço de Radioterapia: 33; Clínica de Moléstias Tropicais e Infectuosas: 16”.

Quando a American Medical Association em 1951 catapultou a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo entre as 15 maiores faculdades de medicina do mundo, não havia dúvidas do poder angariado dos laboratórios, das enfermarias e de toda a tecnologia aprendida e exercida dentro do Hospital das Clínicas. O trabalho dos professores, estudantes, pesquisadores e técnicos, mas principalmente a experiência vivida de seus pacientes seriam fundamentais para que uma identidade entre a cidade, sua população e aqueles que vem de fora passassem a constituir um lugar. Lugar esse capaz de repercutir o trabalho e profissão do médico, de seu discurso clínico sobre o corpo que adoece e, fundamentalmente, da “melhor maneira de se levar a vida”.