Manual do Tutor

Orientações para o exercício da Tutoria

  • Introdução

  • O que é a atividade de Tutoria

  • A importância do trabalho do Tutor

  • Dos atributos para o exercício da Tutoria

  • Funções, responsabilidades e deveres do Tutor

  • Os enquadres de trabalho do Tutor

  • Núcleo Coordenação: contatos
     
     
     
     

    Introdução

    É longo e permeado por dificuldades o caminho de formação do futuro médico.

    Entre o desejo de ser médico e sua plena capacitação para exercer a medicina, passa o aluno por uma série de desafios, problemas e crises até mesmo previsíveis.

    Do primeiro contato com a morte até a relação com o paciente, das disciplinas básicas até o exercício da clínica, do calouro até o veterano que deve escolher sua especialidade, o desenvolvimento da identidade médica é feito muitas vezes solitariamente.

    Ou, pior ainda, baseado em anti-modelos, seja no sentido da rejeição e negação (assim eu não quero ser/fazer), seja no sentido da idealização (assim eu nunca vou conseguir ser/fazer). Não existe uma profissão no abstrato, existe sempre ser/fazer algo como alguém faz...

    Todo processo de aprendizagem para ser efetivo implica na presença de alguém que tenha o papel de mediador e facilitador para o aprendiz, do novo a ser conhecido, enfrentado e assimilado.

    Nesse sentido surge a proposta da atividade de Tutoria no Ensino Médico da FMUSP, como mais um recurso psicopedagógico na construção do médico competente que desejamos formar: aquele que além da aquisição de conhecimentos e desenvolvimento de habilidades, reconhece a importância de suas atitudes na relação terapêutica com a pessoa do paciente.

    O que é a tutoria

    Tutorar significa cuidar de, proteger, amparar, representar, defender e assistir.

    A atividade de Tutoria, especialmente dentro do âmbito da educação, diz respeito ao acompanhamento próximo e a orientação sistemática de grupos de alunos realizada por pessoas experientes na área de formação.

    Tem como objetivos gerais ampliar as perspectivas na formação, integrando as dimensões biológica, psicológica e social, elaborando coletivamente e criticamente a experiência de aprendizagem.

    Além disso, a atividade de tutoria favorece a habilidade de trabalho em grupo, promove a cooperação e o estímulo constante de seus membros, a troca de mecanismos de enfrentamento de dificuldades, o respeito a objetivos comuns e especialmente uma análise não solitária e mais criativa de problemas relacionados ao desenvolvimento da prática profissional futura.

    Engloba a orientação e a discussão não apenas de questões derivadas do processo ensino-aprendizagem e da profissão em si, mas também a reflexão sobre os relacionamentos estabelecidos pelo aluno em seu cotidiano com seus professores, colegas e, na Medicina, especialmente com seus pacientes.

    Uma melhor qualidade de vida para o aluno que formamos e uma maior qualidade do curso que oferecemos é o resultado que esperamos alcançar com essa nova proposta.

    A importância do trabalho do tutor

    O trabalho do tutor, na medida em que cumpre os objetivos antes descritos, terá um duplo desdobramento, promovendo:

  • Para o aluno:
    - uma vida acadêmica com menor sofrimento e maior aproveitamento do ensino e da capacidade de aprendizagem
    - uma maior qualidade de relacionamento com colegas, professores e pacientes e melhor manejo dos conflitos nele presentes

  • Para o curso e a escola médica:
    - a obtenção de dados e questões para a melhoria do processo ensino-aprendizagem
    - a identificação de problemas individuais e coletivos
    - a orientação adequada quanto ao encaminhamento destes
    - o estabelecimento de uma nova via de comunicação entre alunos e responsáveis pelo ensino
    - uma maior agilidade na solução de problemas com maior implicação da equipe de ensino

    Dos atributos para o exercício da tutoria

    1. Acadêmicas e Profissionais

  • Envolvimento com o curso de graduação: goste de ensinar e se interesse pela melhoria do processo ensino-aprendizagem

  • Disponibilidade para o contato com o aluno: tenha, de fato, possibilidade e facilite ao aluno ser encontrado quando necessário.

  • Disponibilidade para treinamento e supervisão: embora professores e médicos sejam papéis já bem estabelecidos, a atividade de tutoria implica em treinamento e constante supervisão com profissionais habilitados na compreensão do processo grupal.

  • Comportamento profissional e ético irrepreensível

    2. Pessoais

  • Gostar e acreditar nos benefícios de atividades grupais: evitando assim o desgaste pessoal e o prejuízo na execução de uma tarefa com a qual não se identifica;

  • Ser continente: conseguir conter as angústias e necessidades que possam emergir do grupo, assim como, por outro lado, conter as suas próprias angústias frente aos sentimentos, dúvidas e outros fenômenos da dinâmica do grupo;

  • Empatia: poder se colocar no lugar do outro e assim manter uma sintonia afetiva;

  • Comunicação: capacidade de escuta e diálogo, de respeitar, discriminar, sintetizar e integrar diferentes idéias emitidas pelos membros do grupo num todo coerente;

  • Ser verdadeiro e autêntico: além de um dever ético, é também um princípio técnico fundamental para o clima de franqueza entre os membros do grupo. A verdade no campo pessoal e intelectual é o caminho para o exercício da confiança, da criatividade e da liberdade dentro do grupo e fora dele;

  • Senso ético: o tutor não tem o direito de impor os próprios valores e expectativas e sim favorecer um alargamento do espaço de cada um dos membros do grupo através da escuta e valorização de diferentes idéias e opiniões. Além disso, o tutor deve manter o sigilo daquilo que lhe foi dado em confiança, apontando alternativas de solução para as questões apresentadas, indicando os recursos disponíveis na instituição e estimulando que o próprio grupo se mobilize para as necessidades detectadas.

  • Paciência e tolerância: faz parte aqui que o tutor consiga tolerar as limitações dos membros do grupo, assim como compreenda as eventuais inibições e ritmo de cada um deles.

    Funções, responsabilidades e deveres do tutor

    Cabe ao tutor:

  • Estimular o interesse dos alunos pela atividade e discutir suas expectativas

  • Auxiliar os alunos em seu planejamento de como atingir os objetivos da formação

  • Permitir autonomia aos alunos para a seleção das questões a serem discutidas, assim como para o encaminhamento destas

  • Favorecer o desenvolvimento dos alunos em analisar problemas e raciocinar criticamente

  • Desenvolver e promover a comunicação dentro do grupo

  • Incentivar e reconhecer as contribuições dos alunos

  • Demonstrar interesse pelo desenvolvimento de cada aluno e do grupo como um todo

  • Avaliar de forma contínua sua própria atuação, bem como a de cada aluno

  • Identificar problemas, mas também qualidades e potenciais de cada aluno

  • Registrar as atividades realizadas nos seus pontos relevantes

  • Participar de encontros com seu supervisor para discussão das atividades realizadas

  • Participar de treinamento para capacitação para a realização da atividade

    Ao tutor não cabe:

  • Guiar o grupo forçando-o ou dirigindo-o segundo suas próprias crenças e valores

  • Encaminhar à revelia do grupo/indivíduo problemas detectados durante a atividade de tutoria

  • Revelar informações que a ele forem fornecidas em confiança e dentro do princípio ético do sigilo

  • Confundir papéis: o tutor não é psicoterapeuta, nem orientador científico; a tutoria não é psicoterapia nem grupo de pesquisa

    Os enquadres do trabalho do tutor: atividades, local, horário, freqüência

  • O treinamento

    Momento inicial de preparo para o exercício da atividade de tutoria.

    Implica em participar de encontro organizado pelo grupo de coordenação e supervisão para a discussão, orientação quanto ao manejo de questões (teóricas e técnicas) relacionadas ao funcionamento de organizações grupais. Inclui também a apresentação das necessidades dos alunos, da proposta de avaliação da atividade ao longo do tempo , assim como a divulgação de outras experiências na área.

  • Encontro com o grupo de alunos (2 vezes/mês, 1 ½ h, a combinar local de acordo com interesse do grupo e seu tutor, horário previsto: período final das disciplinas optativas)

    A atividade de tutoria em si.

    Implica no encontro do tutor com seu grupo de aluno com os objetivos antes descritos.

  • Encontros individuais com o aluno (quando necessário, a combinar local e horário tutor-aluno)

    Atividade de tutoria individualizada a partir de solicitação do aluno quando necessário

  • Encontro Supervisão (1 vez/mês, 1 ½ h, local e horário a combinar tutor-supervisor)

    Atividade de supervisão das atividades de tutoria.

    Implica na apresentação e discussão grupal das atividades já realizadas pelos tutores a um supervisor com formação para compreensão e orientação quanto a questões relativas ao funcionamento grupal.

  • Reuniões do Grupo de Tutores como um todo (a ser definida, CEDEM)

  • Reuniões com o Núcleo Organizador (quando necessário, CEDEM)

    Núcleo Coordenação: contatos

    Prof. Dr. Milton de Arruda Martins (Coordenador Geral Projeto Tutores)

    Equipe Técnica

    Dra. Patrícia Lacerda Bellodi
    Profa. Maria Eugênia Vanzolini
    Rachel Chebabo

    Sede

    Cedem - 2º andar FMUSP
    Fone: 3061-7370