PROJETO TUTORES

FACULDADE DE MEDICINA DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

(aprovado pela Comissão de Graduação da FMUSP em 14/02/2000)

O processo educacional de um estudante de medicina, desde o início do primeiro ano, até sua formatura, ao final do sexto ano, é extremamente complexo. Trata-se de formar um médico que seja competente, com sólidos conhecimentos básicos e clínicos, uma visão madura e crítica do conhecimento médico e uma capacidade de se atualizar continuamente. Ao mesmo tempo, desejamos formar um médico que tenha uma visão humanística, tenha compromisso com seus pacientes e responsabilidade social, seja sensível ao sofrimento humano, tenha capacidade de se relacionar de forma adequada com seus pacientes e encará-los sempre como seres humanos integrais, respeitando suas características sociais, culturais, religiosas, seus sonhos e esperanças.

Uma escola médica como a nossa deve ter uma preocupação grande com a organização do ensino, com a estrutura curricular, com a qualidade das aulas e dos estágios. Por outro lado, deve ter uma preocupação ainda maior com a educação médica, com o real aprendizado de cada um de seus alunos. Um dos fatores que mais facilitam esse processo é uma grande proximidade entre professores e alunos, para que se estabeleça uma troca de experiências verdadeira, um vínculo maior e esse processo de educação médica seja o mais individualizado possível.

Para o aluno de medicina, surgem, com freqüência, problemas durante seu curso. O ensino básico muitas vezes dissociado do ensino clínico e de uma aplicação prática clara, os primeiros encontros com o sofrimento e a morte, dificuldades de relacionamento com pacientes, seus familiares ou outros profissionais de saúde, a escolha da especialidade futura, momentos de ansiedade ou depressão, entre outros, são exemplos de problemas freqüentes de nossos alunos. É importante que haja espaços, previstos em nossa estrutura curricular, para que problemas como esses possam ser abordados. Oferecendo a nossos alunos oportunidade de discussão e orientação sobre todos os problemas ou dúvidas surgidos durante o curso médico, estaremos oferecendo condições muito melhores para que o processo de formação de nossos médicos, de construção de sua identidade médica, seja, em muito, facilitado.

Com a mudança curricular do curso de graduação de nossa faculdade, aumentou a necessidade de um relacionamento mais estreito entre corpo docente e discente. Pretendemos, com as disciplinas optativas, incentivar a busca do conhecimento de forma mais ativa, oferecer oportunidades de iniciação científica, de estágios nas diversas especialidades médicas e de aprofundamento em áreas do conhecimento médico ou relacionadas. Por outro lado, mantemos, na chamada área nuclear, a formação geral, os conhecimentos, habilidades e atitudes necessários a todo médico. Surge, com maior força, a necessidade de diálogo, de haver oportunidade para orientação de escolhas e decisões relativas ao presente e ao futuro.

Uma alternativa que tem sido adotada, com bons resultados, em várias instituições de ensino superior, para aproximar alunos de docentes é o estabelecimento, para cada aluno ou grupo de alunos, de um tutor ou orientador. Pretendemos, em nossa faculdade, implantar, já em 2000, um sistema de tutores/orientadores, em que um docente seja orientador de um grupo de alunos, composto por alunos dos seis anos do curso.

As tutorias foram objeto de seminário da Pró-Reitoria de Graduação, que sugeriu, a todas as unidades da Universidade de São Paulo, que apresentassem propostas concretas de programas de tutoria, respeitando as características de cada unidade.

Objetivos do Projeto Tutores

O objetivo principal é estabelecer, para grupo de alunos, um orientador, que acompanhará o seu progresso acadêmico e os auxiliará em problemas eventualmente surgidos no decorrer do curso.

Serão realizadas reuniões entre o tutor e o seu grupo de alunos, com uma periodicidade não inferior a duas vezes por mês, em que serão discutidos temas de interesse da formação médica, científica, humana e para a cidadania.

O tutor, nestas reuniões, tanto promoverá a discussão de temas e de problemas trazidos pelos alunos como cumprirá um programa de temas definidos pela Comissão Coordenadora, ligados à ética, relação médico-paciente, responsabilidade social, ensino e aprendizado e opções profissionais, entre outros.

Perfil dos Tutores

Os tutores serão selecionados entre os profissionais que exercem atividades docentes no curso médico: docentes da Faculdade de Medicina e dos institutos que participam do ensino básico, médicos do Hospital das Clínicas, do Hospital Universitário e do Centro de Saúde Escola. O tutor deverá ter o seguinte perfil geral:

1. Ser uma pessoa envolvida com o ensino de graduação, ministrando aulas, organizando cursos ou participando do ensino básico, clínico ou internato. Deverá, portanto, conhecer o curso de graduação e os alunos.

2. Ser uma pessoa disponível. Quando um aluno tiver necessidade de conversar com o tutor, ele deve ser recebido com rapidez.

3. Estar disposto a participar de treinamento e supervisão. Trata-se de uma atividade com objetivos específicos, haverá necessidade de treinamento e de supervisão dos tutores por equipe coordenada por docentes do Departamento de Psiquiatria.

4. O tutor é antes de tudo um modelo. Comportamento profissional e ético irrepreensíveis são o pré-requisito para a atividade de tutor.

A carga horária que cada tutor dedicará ao projeto será de aproximadamente 1 hora e meia a duas horas por semana, considerando que haverá duas reuniões mensais com o seu grupo de alunos e uma reunião mensal com seu grupo de supervisores.

Participação dos Alunos

A participação dos alunos nas atividades de tutoria será obrigatória. O motivo desta obrigatoriedade é que acreditamos que essa supervisão é essencial para a formação do médico e que, talvez, algumas das pessoas que mais necessitassem de algum tipo de orientação ou supervisão, não a buscariam, se essa atividade fosse optativa. O aluno que não comparecer às atividades de tutoria será convocado pela Comissão Coordenadora para ser avaliado qual o motivo dessa não participação.

As atividades de tutoria estarão previstas na Estrutura Curricular, correspondendo a 1 crédito por semestre.

Os grupos de alunos não serão organizados pelos próprios alunos, por critérios de amizade ou proximidade. Os grupos serão formados pela Comissão Coordenadora, que também designará o tutor de cada grupo. Caso um aluno queira mudar de grupo ou tutor, ao final de cada ano essas solicitações serão avaliadas pela Comissão Coordenadora.

Cada grupo será constituído por cerca de 8 alunos e terá, pelo menos, um aluno de cada ano. Será uma forma de promover uma integração e uma troca de experiências entre os seis anos. Por outro lado, será uma forma excelente de receber, em nossa comunidade acadêmica, os calouros, a cada início de ano.

Estrutura do Projeto Tutores

O Projeto Tutores será vinculado diretamente à Comissão de Graduação da Faculdade de Medicina. Essa comissão designará a Comissão Coordenadora do Projeto Tutores. A Comissão Coordenadora será responsável pela coordenação do projeto, pelo recrutamento e treinamento dos tutores, e pelo estabelecimento de normais gerais e acompanhamento do projeto. Prestará contas de seu trabalho à Comissão de Graduação e à Congregação da Faculdade de Medicina. Designará, também, um grupo de profissionais com experiência para o treinamento e supervisão dos tutores, coordenado pelo representante do Departamento de Psiquiatria na Comissão de Graduação.

Considerando que cada grupo de alunos será constituído por 8 pessoas, haverá necessidade de 135 tutores, que serão selecionados entre as pessoas, que exercem atividades de ensino de graduação, que se candidatarem a desempenhar essa atividade. Haverá, também, 13 supervisores, sendo que cada um supervisionará um grupo de 10 tutores.

Pretendemos incluir todos os alunos da faculdade ao mesmo tempo no programa. Em outras palavras, durante o ano 2001, serão constituídos todos os grupos de alunos, do primeiro ao sexto ano, e iniciados os trabalhos.

Há, também, representantes discentes na Comissão Coordenadora, indicados pelo Centro Acadêmico Oswaldo Cruz.

O projeto foi apresentado aos alunos e departamentos, para que críticas e sugestões pudessem ser incorporadas ao projeto final. Nosso interesse é que haja um envolvimento grande de toda a comunidade da Faculdade de Medicina nesse projeto, condição necessária para o seu sucesso.

Uma equipe mínima para o funcionamento do Projeto Tutores, a chamada Equipe Técnica ou Núcleo da Coordenação está constituída por uma secretária e dois profissionais com experiência na área de educação e psicologia médica, contratados especificamente para essa finalidade.

A sede do Projeto Tutores é no CEDEM (Centro de Desenvolvimento de Educação Médica).

As horas dedicadas ao Projeto Tutores por cada tutor ou supervisor serão consideradas pela Faculdade de Medicina como horas dedicadas ao ensino de graduação.

Avaliação das Atividades de Tutoria

As atividades de Tutoria serão avaliadas e monitoradas ao longo do tempo para que todos seus participantes (alunos, tutores, supervisores, coordenação e instituição) possam receber informações a respeito de sua participação, necessidades, problemas, expectativas e satisfação em relação ao processo como um todo.

Instrumentos específicos serão desenvolvidos e utilizados com esse objetivo e apresentados a cada uma das pessoas envolvidas com a Tutoria.

Prof. Milton de Arruda Martins
Presidente Comissão de Graduação da FMUSP
Diretor do CEDEM
Coordenador Geral