Curso de Formação de Preceptores

Curso de Formação de Preceptores






Apresentação do Curso

“A educação é um ato de conhecimento e de conscientização”(Paulo Freire, 1979)

Incorporar as melhores práticas de ensino de adultos resulta em maior satisfação, engajamento e formação dos nossos alunos. Portanto compreender e aplicar as evidências da educação médica contribui para o aprimoramento da oferta de ensino na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). O Centro de Desenvolvimento de Educação Médica (CEDEM) oferece mais uma edição do Curso de Formação de Preceptores, que tem por objetivo contribuir com a formação em educação e gestão de ensino na saúde de profissionais que atuam como preceptores e/ou supervisores em estágios da Faculdade de Medicina e em programas de residência. O curso leva em conta a diversidade dos programas nos quais os participantes atuam, e busca desenvolver competências aplicáveis a cada realidade. O preceptor participa integralmente da formação de estudantes e residentes como supervisor, professor e modelo. No entanto, na maioria dos estágios na graduação e nos programas de residência, o profissional da saúde assume as funções de preceptor sem ter sido preparado para elas.A coordenação do curso espera que você, preceptor (a), tenha uma experiência educacional significativa para o seu desenvolvimento, que contribua diretamente para a formação de outros profissionais e, indiretamente, para a melhoria do cuidado à saúde oferecido à população.

Patrícia Zen Tempski
Coordenadora Curso de Formação de Preceptores FMUSP

Objetivo

O Curso de Formação de Preceptores visa contribuir para a formação de preceptores em educação na saúde, no sentido de aprimorar os processos de ensino e cuidado à saúde em que estão envolvidos.

Público-alvo

O curso é gratuito e se destina aos profissionais da saúde que atuam como preceptores ou supervisores nos campos de prática da FMUSP.

Competências do Preceptor

Preceptor é um profissional com formação de especialista, vinculado à instituição formadora ou executora, cuja função se caracteriza por supervisão direta das atividades práticas realizadas por estudantes e residentes.  O perfil de competências do preceptor que forma a base deste curso tem como referência documentos nacionais e internacionais. São eles: Diretrizes Curriculares Nacionais para a graduação em Medicina (2001; 2014), Global Standards for Quality Improvement of Meical Education (2011), Agenda do Profissionalismo (1999), CanMed Framework (2005) e Tomorrow´s Doctors (2003).

O curso define como perfil do preceptor: “profissional competente na sua área de atuação, ético, crítico, reflexivo, humanista, capacitado a formar profissionais em serviço, com visão crítica do seu papel social como educador. Capacitado a elaborar e coordenar um programa de ensino/estágio de acordo com as normas e leis vigentes, reconhecendo as necessidades de saúde da população brasileira” (Curso de Formação de Preceptores- HAOC/MS, 2019). .

Referencias Teóricos do Curso

Este curso se fundamenta nos conceitos da aprendizagem significativa, da aprendizagem de adultos, comunidade de prática e liderança na complexidade.

A aprendizagem significativa, conceito desenvolvido por David Ausubel, pode ser definida como a interação cognitiva que se dá entre um novo conhecimento, potencialmente significativo, e algum conhecimento prévio especificamente relevante existente na estrutura cognitiva do aprendiz. Para que ocorra a aprendizagem significativa é necessário que aquele que aprende atribua significado ao conhecimento novo, que mobilize sua pré-disposição para aprender; e que este conhecimento novo interaja com algum conhecimento prévio do indivíduo. O fator isolado de maior relevância para a aprendizagem, segundo Ausubel (1968), é o que o aprendiz já sabe, as experiências que já tem.

A aprendizagem de adultos se fundamenta no processo de reflexão e ação sobre a realidade. Tem como premissa que o educando é um ser em contínua evolução. Enfatiza, no processo de aprendizagem, o desenvolvimento da sua identidade pessoal e profissional e valoriza suas experiências anteriores. Considera que os adultos querem saber por que precisam aprender determinadas coisas; que aprendem quando reconhecem a necessidade de aprender; que a aprendizagem se potencializa quando as atividades têm como eixo orientador situações reais; e que os recursos intelectuais e as experiências relevantes de cada pessoa constituem pontos de referências para novas aprendizagens, necessitando de devolutiva qualificada e constante (Knowles, 1990). Autonomia, iniciativa, criatividade e responsabilidade são valores orientadores do processo de aprender que resulta em transformação individual e da realidade (Freire, 1979, 2008).

O conceito de comunidade de prática valoriza a integração individual em uma comunidade de profissionais, para corrigir ou reforçar sua prática. Esta forma de educação profissional favorece além da aquisição de conhecimentos, o desenvolvimento de profissionalismo, aqui entendido como postura que visa a oferecer a melhor qualidade de cuidado, levando em conta os interesses do paciente. Existem evidências consistentes da efetividade de comunidades de práticas utilizando tecnologias digitais de comunicação, para o compartilhamento de informações. O processo de aprendizado colaborativo das comunidades de prática está focado na aplicabilidade dos conhecimentos e na facilidade de interação, mesmo com grandes distâncias geográficas e de agenda profissional, garantida pela interface online (Barab, 1991, Lave 1991, Cantillon, 2014).

O conceito de liderança na complexidade foi desenvolvido por Glenda Eoyang e Stewart Mennin, e se aplica a contextos organizacionais complexos e não lineares, incluindo aqueles de ensino e cuidado. Este modelo baseia-se em ações adaptativas, definidas pela tomada de decisões norteadas por respostas críticas às perguntas: “O quê?”, “E daí?” e “E agora?” (“What”, “So What?” and “Now What?”). Este processo visa o entendimento de padrões (O quê?), a análise de relevância e significados destes padrões (E daí?), seguidos de reflexão sobre como modificá-los (E agora?). O modelo de ações adaptativas é uma proposta para desenvolver competências relativas à liderança e resiliência institucional (Eoyang, 2013).

Método de Ensino

Reconhecer o aluno como ser ativo, autônomo e possuidor de experiências relevantes para o seu processo de aprendizagem implica na escolha de um método que favoreça o desenvolvimento destas características. Este curso privilegia métodos ativos de aprendizagem baseados no processo de reflexão e transformação da realidade, propostos na Pedagogia Progressista (Freire, 2008) e na Problematização com o Arco de Maguerez (Berbel, 2012). O Método do Arco estabelece que as atividades de ensino aprendizagem devem partir de um recorte da realidade, da observação analítica e crítica dela, da qual é extraído um problema relevante para o estudo. Uma vez delimitado o problema e aprofundado o conhecimento sobre ele, formulam-se hipóteses de solução e sua aplicação na realidade da qual ele foi extraído (Berbel, 2012)Baseado na premissa de transformar a realidade, o curso utilizará os cinco passos propostos no Arco de Maguerez e os princípios da educação de adultos de Paulo Freire para apoiar a construção de um planejamento educacional completo.

O programa se caracteriza por uma estrutura bimodal: um encontro presencial mensal e atividades de estudo à distância (EaD). O ambiente virtual do curso é o Google Classroom que oferece conteúdos complementares e atividades.



Todas as atividades presenciais do curso são interativas e utilizam estratégias educacionais inovadoras, estimulando que o participante aplique estes novos métodos e tecnologias de ensino nos seus estágios em cenários de prática e em outros processos educacionais dos quais participa. 

O curso pretende ainda desenvolver a prática reflexiva que permita ao participante identificar técnicas de ensino  e avaliação efetivas, transformando sua prática e compartilhando estas boas práticas com os demais participantes.

Carga Horária

O curso de formação de preceptores tem 80 horas, distribuídas em:
- 40 horas presenciais, segunda-feira das 12h às 14h (20 encontros de duas horas)
- 40 horas à distância (Aprofundamento teórico com leitura de artigos)

Espera-se que o preceptor utilize uma carga horária de 4 horas/mês para suas atividades educativas presenciais e até 4 horas/mês em leituras, estudo, pesquisa e outras atividades educacionais. 

Programação

Aula Data Tema
1 09/03 Evidências na Educação Médica
2 23/03 Como ensinar a nova geração de alunos
3 06/04 Capacitação em Plataforma Digital FMUSP e Google
4 27/04 Ciência da Educação de adultos
5 11/05 Design instrucional e planejamento educacional
6 25/05 Avaliação de desempenho
7 08/06 Avaliação de desempenho do estudante - Testes de múltipla escolha
8 22/06 Avaliação de desempenho do estudante – Mini-cex
9 06/07 Avaliação de desempenho do estudante – OSCE
10 27/07 Feedback no ensino superior
11 10/08 Estratégias Educacionais - ensino para grandes grupos
12 24/08 Estratégias Educacionais - ensino para grandes grupos
13 14/09 Ensino clínico - Preceptor Minuto
14 28/09 Simulação na formação médica
15 05/10 Qualidade de vida do estudante e ambiente de ensino
16 26/10 Mentoring e sistemas de suporte
17 09/11 Gestão educacional: Gerencia de conflitos e liderança
18 23/11 Gestão educacional: Habilidades de comunicação
19 07/12 Gestão educacional: Avaliação de Programa
20 14/12Portfólio

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Avaliação do Desempenho do Preceptor

O curso de formação de preceptores considera a avaliação parte integrante do processo de ensino-aprendizagem, e a realiza continuamente (avaliação formativa), sob a forma de diálogo, garantindo feedback acerca dos avanços e necessidades de aprendizado. São elementos da avaliação:
- Frequência (75%) e qualidade da participação;
- Qualidade das reflexões no portfólio final.

A avaliação do desempenho utiliza os conceitos satisfatório e insatisfatório..

Avaliação do Programa

A avaliação é feita pelos participantes e professores, e tem como foco os seguintes aspectos:
- Aplicabilidade do curso;
- Atuação dos professores;
- Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA);
- Organização e gestão acadêmica.

Os produtos apresentados pelos preceptores, assim como seus relatos no portfólio, também serão utilizados como indicadores da qualidade e do impacto do curso.