Curso de Formação de Preceptores

Curso de Formação de Preceptores


Curso de Formação de Preceptores 2021

08 de março a 22 de novembro de 2021 | Presencial | Inscrições abertas

https://forms.gle/gUvxCqmapkfpLqsr8 - exclusivo para preceptores da FMUSP



Apresentação do Curso

Incorporar as melhores práticas de ensino de adultos resulta em maior satisfação, engajamento e formação dos nossos alunos. Portanto compreender e aplicar as evidências da educação médica contribui para o aprimoramento da oferta de ensino na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). O Centro de Desenvolvimento de Educação Médica (CEDEM) oferece mais uma edição do Curso de Formação de Preceptores, que tem por objetivo contribuir com a formação em educação e gestão de ensino na saúde de profissionais que atuam como preceptores e/ou supervisores em estágios da Faculdade de Medicina e em programas de residência. O curso leva em conta a diversidade dos programas nos quais os participantes atuam, e busca desenvolver competências aplicáveis a cada realidade. O preceptor participa integralmente da formação de estudantes e residentes como supervisor, professor e modelo. No entanto, na maioria dos estágios na graduação e nos programas de residência, o profissional da saúde assume as funções de preceptor sem ter sido preparado para elas. A coordenação do curso espera que você, preceptor (a), tenha uma experiência educacional significativa para o seu desenvolvimento, que contribua diretamente para a formação de outros profissionais e, indiretamente, para a melhoria do cuidado à saúde oferecido à população.

Patrícia Zen Tempski
Milton de Arruda Martins
Coordenadores do Curso de Formação de Preceptores FMUSP

Objetivo

O Curso de Formação de Preceptores visa contribuir para a formação de preceptores em educação na saúde, no sentido de aprimorar os processos de ensino e cuidado à saúde em que estão envolvidos.

Público-alvo

O curso se destina aos profissionais da saúde que atuam como preceptores ou supervisores nos campos de prática da FMUSP.

Perfil de competências do Preceptor

Preceptor é um profissional com formação de especialista, vinculado à instituição formadora ou executora, cuja função se caracteriza por supervisão direta das atividades práticas realizadas por estudantes e residentes. O perfil de competências do preceptor que forma a base deste curso tem como referência documentos nacionais e internacionais. São eles: Diretrizes Curriculares Nacionais para a graduação em Medicina (2001; 2014), Global Standards for Quality Improvement of Meical Education (2011), Agenda do Profissionalismo (1999), CanMeds Framework (2005) e Tomorrow´s Doctors (2003).

O curso define como perfil do preceptor: “profissional competente na sua área de atuação, ético, crítico, reflexivo, humanista, capacitado a formar profissionais em serviço, com visão crítica do seu papel social como educador. Capacitado a elaborar e coordenar um programa de ensino/estágio de acordo com as normas e leis vigentes, reconhecendo as necessidades de saúde da população brasileira” (Curso de Formação de Preceptores- HAOC/MS, 2019).



Referencias Teóricos do Curso

Este curso se fundamenta nos conceitos da aprendizagem significativa, da aprendizagem de adultos, comunidade de prática e liderança na complexidade.

A aprendizagem significativa, conceito desenvolvido por David Ausubel, pode ser definida como a interação cognitiva que se dá entre um novo conhecimento, potencialmente significativo, e algum conhecimento prévio especificamente relevante existente na estrutura cognitiva do aprendiz. Para que ocorra a aprendizagem significativa é necessário que aquele que aprende atribua significado ao conhecimento novo.

O fator isolado de maior relevância para a aprendizagem, segundo Ausubel (1968), é o que o aprendiz já sabe, as experiências que já tem. A aprendizagem de adultos se fundamenta na participação e horizontalidade da relação educador-educando e no processo de reflexão e ação sobre a realidade. Tem como premissa que o educando é um ser em contínua evolução.

Enfatiza, no processo de aprendizagem, o desenvolvimento da sua identidade pessoal e profissional e valoriza suas experiências anteriores. Considera que os adultos querem saber por que precisam aprender determinadas coisas; que aprendem quando reconhecem a necessidade de aprender; que a aprendizagem se potencializa quando as atividades têm como eixo orientador situações reais; e que os recursos intelectuais e as experiências relevantes de cada pessoa constituem pontos de referência para novas aprendizagens, necessitando de devolutiva qualificada e constante (Knowles, 1990). Autonomia, iniciativa, criatividade e responsabilidade, segundo Paulo Freire são valores orientadores do processo de aprender que resulta em transformação individual e da realidade, a partir da construção de uma consciência crítica sobre ela e sobre si mesmo, o que ele denominou de “pedagogia progressista” (Freire, 1979, 2008).

O conceito de comunidade de prática valoriza a integração individual em uma comunidade de profissionais, para corrigir, reforçar ou aprimorar sua prática. Esta forma de educação profissional favorece além da aquisição de conhecimentos, o desenvolvimento de profissionalismo, aqui entendido como postura que visa oferecer a melhor qualidade de cuidado, levando em conta os interesses do paciente. Existem evidências da efetividade de comunidades de práticas utilizando tecnologias digitais de comunicação, para o compartilhamento de informações.

O processo de aprendizado colaborativo das comunidades de prática virtuais está focado na aplicabilidade dos conhecimentos e na facilidade de interação, mesmo com grandes distâncias geográficas e de agenda profissional, garantida pela interface on-line (Barab, 1991, Lave 1991, Cantillon, 2014).

O conceito de liderança na complexidade foi desenvolvido por Glenda Eoyang e Stewart Mennin, e se aplica a contextos organizacionais complexos e não lineares, incluindo aqueles de ensino e cuidado. Este modelo baseia-se em ações adaptativas, definidas pela tomada de decisões norteadas por respostas críticas às perguntas: “O quê?”, “E daí?” e “E agora?” (“What”, “So What?” and “Now What?”). Este processo visa o entendimento de padrões (O quê?), a análise de relevância e significados destes padrões (E daí?), seguidos de reflexão sobre como modificá-los (E agora?). O modelo de ações adaptativas é uma proposta para desenvolver competências relativas à liderança e resiliência institucional (Eoyang, 2013).

Método de Ensino

O curso privilegia a reflexão sobre a prática, utilizando métodos ativos de aprendizagem, adequados à Pedagogia Progressista (Freire, 2008), à Problematização proposta no Arco de Maguerez (Berbel, 2012) e no Modelo de Ações Adaptativas (Eoyang, 2013), referenciais teóricos do curso. Dessa forma estabelece que as experiências de aprendizagem devem partir de um recorte da realidade, da observação analítica e crítica dela, da qual é extraído uma questão ou um problema relevante para o estudo. O curso se caracteriza por uma estrutura bimodal: um encontro presencial quinzenal e atividades de ensino a distância (EaD) em ambiente virtual de aprendizagem (AVA) na plataforma Google Classroom e a plataforma Zoom.us, para atividades síncronas.

Carga Horária

O curso de formação de preceptores tem 100 horas, distribuídas em:
Um encontro presencial nos dias 8 e 9 de março de 2021, das 08h30 às 12h30 (8 horas);
Dezessete encontros quinzenais, às segundas-feiras das 12h às 13h45, com início dia 15 de março de 2021 (34 horas);
No período entre 17/08 e 12/09, o preceptor deverá elaborar um Projeto de Estágio (22 horas);
Espera-se que o preceptor utilize uma carga horária de 4 horas/mês para suas atividades educativas presenciais e até 4 horas/mês em leituras, estudo, pesquisa e outras atividades educacionais (36 horas).

Programação

Data Temas
08/mar Apresentação do curso de do grupo
Evidências na educação médica
O papel do preceptor e profissionalismo
09/mar Como ensinar a nova geração de alunos
Ciência da educação de adultos
15/3 Capacitação em Plataforma Digital FMUSP e Google Apps
29/3 Oficina de ZOOM
12/4 Planejamento educacional
26/4 Avaliação de desempenho
10/5 Avaliação de desempenho do estudante - Testes de múltipla escolha
24/5 Avaliação de desempenho do estudante - OSCE
7/6 Oficina do ACP
21/6 Ensaio clínico - Preceptor-minuto
5/7 Feedback no ensino superior
19/7 Design instrucional
2/8 Oficina de Gravação de aulas
16/8 Estratégias educacionais - ensino para grandes grupos
17/08 a 12/09 Elaboração do Projeto de Estágio
13/9 Oficina de Gamificação
27/9 Simulação na formação médica
18/10 Oficina de simulação
8/11 Gestão educacional: Gerência de conflitos e liderança
22/11 Qualidade de vida do estudante e ambiente de ensino

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Avaliação do Preceptor

O curso de formação de preceptores considera a avaliação parte integrante do processo de ensino-aprendizagem, e a realiza continuamente (avaliação formativa), sob a forma de diálogo, garantindo feedback acerca dos avanços e necessidades de aprendizado. São elementos da avaliação.

  1. Frequência: Comparecimento a 75% ou mais das atividades e qualidade da participação;
  2. Aplicação: Apresentação de evidências de aplicação dos novos conhecimentos para o aprimoramento da preceptoria;
  3. Qualidade da participação no portfólio final.

Avaliação do Programa

A avaliação é feita pelos participantes e professores, e tem como foco os seguintes aspectos:
- Aplicabilidade do curso;
- Atuação dos professores;
- Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA);
- Organização e gestão acadêmica.

Os produtos apresentados pelos preceptores, assim como seus relatos no portfólio, também serão utilizados como indicadores da qualidade e do impacto do curso.