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Race.ID e Núcleo Ayé fortalecem o ensino, a pesquisa e a formação médica voltados ao enfrentamento das desigualdades raciais na saúde

No Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, celebrado em 25 de julho, a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) destaca iniciativas desenvolvidas para fortalecer a equidade racial na saúde. Por meio de ações de ensino, pesquisa e extensão como o Race.ID e o Núcleo Ayé, a instituição busca ampliar a produção de conhecimento sobre os impactos do racismo na saúde e contribuir para a formação de profissionais preparados para atuar diante das desigualdades.

O Race.ID tem ampliado a discussão sobre o racismo e seus impactos na saúde durante a formação dos estudantes e estimulado debates sobre equidade, incentivado pesquisas sobre a saúde da população negra, e aproximado a produção científica das políticas públicas e dos movimentos sociais. Com isso, tem contribuído para a formação de profissionais mais preparados para reconhecer desigualdades e oferecer um cuidado mais qualificado e equitativo.

Coordenado pela Profa. Dra. Ana Germani, do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP, e pelo Dr. Júlio César de Oliveira, do Hospital das Clínicas da FMUSP (HCFMUSP), um dos principais desafios do Race.ID é enfrentar o racismo institucional e dar mais visibilidade às necessidades de saúde das pessoas negras. Segundo o grupo, isso passa pela produção de mais pesquisas sobre o tema e por um cuidado mais qualificado. Já na formação médica, o tema ainda é pouco explorado e, de acordo com os pesquisadores, ampliar essa abordagem nos currículos é essencial para preparar profissionais capazes de oferecer um cuidado mais equitativo.

Já o Núcleo Ayé, primeiro coletivo negro da instituição, realiza ações de acolhimento, formação e conscientização, buscando proporcionar um ambiente de diálogo e de escuta seguros livre de assédios e de ameaças. "Buscamos ser a força das pessoas pretas dentro de um ambiente universitário majoritariamente branco. Nosso papel é construir uma rede de apoio para que cada estudante também se torne referência para quem chegar depois, criando um ciclo de pertencimento e fortalecimento da comunidade negra na FMUSP", afirma a Dra. Glaucia Verena, fonoaudióloga e fundadora do Núcleo Ayé.

A atuação do coletivo também marcou a trajetória acadêmica de Merllin Batista, uma das finalistas do Prêmio Pensadores de Futuros 2026. "Foi na FMUSP que construí minha base científica e encontrei um ambiente que me permitiu unir pesquisa, igualdade racial e compromisso social. A criação do Núcleo Ayé reforçou em mim a certeza de que pertencimento também se constrói coletivamente e de que ampliar a diversidade na universidade transforma não apenas quem faz ciência, mas também as perguntas que fazemos e as soluções que desenvolvemos para a sociedade. Hoje, meu compromisso é produzir conhecimento que contribua para reduzir desigualdades e fortalecer o SUS", diz.

Atualmente doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências da Reabilitação da FMUSP, Merllin desenvolve pesquisas sobre saúde digital voltadas à ampliação do acesso ao cuidado da população negra. Para a pesquisadora, ampliar a diversidade entre cientistas contribui para compreender melhor as desigualdades em saúde e produzir evidências capazes de orientar políticas públicas e aperfeiçoar o cuidado à população.

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