Competências do médico, expectativas dos pacientes e contexto do atendimento determinam a qualidade da relação e influenciam diretamente os resultados em saúde
Um estudo conduzido por pesquisadores do Centro de Desenvolvimento de Educação Médica (CEDEM), da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), revela que a qualidade da comunicação entre médicos e pacientes vai muito além da troca de informações: ela é determinante para a confiança e a satisfação com o atendimento — fatores essenciais para melhores resultados em saúde.
Publicado na revista científica Clinics, o estudo “Doctor competencies, patient expectations and healthcare context: connecting communication to satisfaction and trust” investigou como diferentes fatores influenciam a percepção dos pacientes sobre o cuidado recebido. A pesquisa foi realizada com 60 pacientes atendidos no Hospital das Clínicas da FMUSP, em São Paulo.
Três fatores-chave moldam a experiência do paciente
Os resultados mostram que a relação entre comunicação médica e a confiança do paciente é mediada por três dimensões principais:
- Competências do médico: tanto habilidades clínicas quanto relacionais (como escuta ativa, empatia e clareza nas explicações) são fundamentais para construir uma relação de confiança.
- Subjetividade do paciente: percepções individuais, experiências prévias e expectativas influenciam diretamente a forma como o atendimento é avaliado.
- Contexto do sistema de saúde: fatores como o prestígio do hospital, o fato de ser um hospital de ensino e até aspectos culturais e religiosos impactam a confiança depositada no médico.
Comunicação impacta resultados em saúde
Segundo o estudo, a satisfação e a confiança não são apenas percepções subjetivas: elas influenciam diretamente o engajamento do paciente, a adesão ao tratamento e, consequentemente, os desfechos clínicos.
A pesquisa reforça que a comunicação é um componente central da prática médica e deve ser tratada como competência essencial na formação e no desenvolvimento profissional de médicos.
“A comunicação eficaz é um dos pilares da prática médica de qualidade. Quando o médico consegue aliar competência técnica a uma escuta atenta e empática, cria-se um ambiente de confiança que impacta diretamente a experiência e os resultados do paciente. Nossos achados mostram que investir na formação dessas competências é fundamental para um sistema de saúde mais humano e resolutivo”, afirma Profa. Dra. Patricia Tempski, professora associada de Educação Médica e coordenadora do Centro de Desenvolvimento de Educação Médica (CEDEM).
Implicações para a formação médica
Os autores destacam que compreender melhor os fatores que conectam comunicação, confiança e satisfação permite desenvolver estratégias educacionais mais eficazes, voltadas à formação de profissionais mais preparados para lidar com as necessidades dos pacientes em diferentes contextos. O estudo contribui para o avanço da educação médica ao evidenciar que habilidades comunicacionais devem ser ensinadas e avaliadas com o mesmo rigor que competências clínicas.
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