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Estudo descreve par de gêmeas geneticamente iguais que apresentou respostas celulares diferentes para a infecção pelo coronavírus

Gêmeos monozigóticos são aqueles considerados geneticamente idênticos. Tradicionalmente eles ajudam os cientistas a identificar quais características são determinadas de maneira mais intensa pela genética e quais sofrem uma maior influência das experiências vividas por cada um. No meio da pandemia, uma questão quase natural seria: o quanto a genética influencia na maneira como o sistema de defesa do organismo se comporta frente ao coronavírus? Um grupo de cientistas brasileiros já fez esta pergunta e também já começou a procurar a resposta: eles estudaram dois pares de gêmeos idênticos que testaram positivo para a covid-19, mas apresentaram quadros diferentes para a doença.

Um dos pares de gêmeos, que são do sexo masculino, teve resultados similares e quadro assintomático. Já o par do sexo feminino relatou sintomas. Uma das irmãs, profissional de saúde, foi reinfectada meses após a primeira infecção, desta vez com sintomas mais intensos. Os resultados do estudo descrevem como deficiente a resposta celular da gêmea reinfectada – a resposta celular é uma das frentes de atuação do nosso sistema imunológico, envolvendo principalmente células denominadas linfócitos T.

“Nós esperávamos que essas pessoas tivessem sintomas similares e até o mesmo desfecho, com uma evolução e progressão semelhantes da doença. Diferente disso, também não encontramos, a princípio, na genética, uma resposta para esses diferentes comportamentos imunes”, conta Mateus Vidigal

Mas por que houve respostas celulares diferentes entre indivíduos geneticamente iguais? Os pesquisadores sugerem que a explicação pode estar na construção da memória imunológica, distanciada dos fatores genéticos. De acordo com Mateus Vidigal, um dos autores do estudo, a hipótese é que, ao longo da vida e nas variadas experiências envolvendo patógenos e diferentes exposições a antígenos, cada uma das irmãs desenvolveu diferentes respostas imunes, mesmo estando sob o mesmo contexto social. “É como se nossa resposta imune fosse única”, explica o biólogo, que é pós-doutorando no Centro de Estudos sobre o Genoma Humano e Células-Tronco da USP (Genoma USP). 

Além do Genoma USP, o estudo foi realizado por pesquisadores do Instituto do Coração (Incor) do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). O artigo em preprint (versão prévia, ainda sem revisão externa), intitulado Monozygotic twins discordant for severe clinical recurrence of COVID-19 show drastically distinct T cell responses to SARS-Cov-2, foi publicado em março, na plataforma medRxiv, e e contou com 31 cientistas, entre eles os professores Jorge Kalil (diretor do Incor), Mayana Zatz (coordenadora do Genoma USP) e teve a coordenação do professor Edecio Cunha-Neto (do Laboratório de Imunologia Clínica e Alergia da FMUSP).

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