PrEP É A ÚNICA ESTRATÉGIA CAPAZ DE REDUZIR SIGNIFICATIVAMENTE A INCIDÊNCIA
Após quatro décadas, o uso do preservativo segue relevante, mas não reduz a incidência, apenas desacelera o crescimento da epidemia. A única intervenção comprovadamente capaz de diminuir de forma expressiva os novos casos e que pode ser usada por pessoas não infectadas é a Profilaxia Pré-Exposição Sexual (PrEP).
Atualmente, o SUS oferece a PrEP oral diária e sob demanda, indicada com base em comportamentos que aumentam o risco de infecção. Por exemplo, pessoas com parcerias casuais, sexo comercial sem uso de preservativo ou com parceiros vivendo com HIV podem fazer uso da estratégia.
Apesar disso, embora a cobertura nacional da PrEP tenha aumentado, ela ainda é insuficiente para impactar a trajetória da epidemia. “A PrEP é o instrumento mais potente que temos hoje para interromper a transmissão sexual do HIV. Mas, para produzir impacto real, ela precisa chegar a muito mais gente. Não se trata apenas de disponibilizar o medicamento, é necessário facilitar o acesso, ampliar a oferta de serviços e reduzir as barreiras que afastam principalmente jovens e populações mais vulneráveis da prevenção”, afirma o Dr. Alexandre Grangeiro, pesquisador do Departamento de Medicina Preventiva da FMUSP.
PrEP INJETÁVEL: INOVAÇÃO PROMISSORA ENFRENTA BARREIRAS DE CUSTO E APROVAÇÃO
Uma das alternativas mais promissoras é a PrEP injetável de longa duração, baseada nos medicamentos cabotegravir e lenacapavir, que podem oferecer proteção de dois a seis meses. Um protocolo para aplicar a versão bimestral no SUS está sendo estudada na FMUSP.
Dois fatores, porém, impedem sua incorporação imediata no SUS: o preço elevado, devido a proteção patentária; e a ausência de aprovação pela Anvisa - cuja análise está em andamento; e as negociações de preço com o Ministério da Saúde, ainda sem definição.
Ampliar o acesso às modalidades de longa duração é essencial para que o país alcance as metas de eliminação até 2030.
RISCO DE PERPETUAÇÃO DA EPIDEMIA
Caso políticas de prevenção, diagnóstico e cuidado não avancem, o país pode manter uma epidemia ainda mais intensa nos próximos anos, especialmente em regiões marcadas por desigualdades estruturais e menor acesso aos serviços de saúde.
“Temos um país dividido: um Brasil que pode atingir as metas de eliminação e outro que continuará convivendo com o HIV de forma prolongada”, conclui a Profa. Dra. Marcia Couto.