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Treinamento reuniu especialistas de países da América Latina em São Paulo e destacou inovação no diagnóstico

A Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), em parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), realizou entre os dias 27 e 30 de abril, na sede da instituição de ensino, um curso de capacitação em autópsia minimamente invasiva (AMI). A iniciativa teve como objetivo fortalecer a detecção precoce da febre amarela e ampliar a capacidade de resposta dos países da região diante de emergências de saúde pública.

O treinamento foi organizado pelo grupo de Patologia de Autópsia do Departamento de Patologia da FMUSP, com a participação dos professores doutores Amaro Duarte, Luiz Fernando da Silva (Burns), Marisa Dolhnikoff e Paulo Saldiva e dos pesquisadores Dra. Renata Monteiro e Jair Theodoro Filho. A atividade reuniu médicos do Brasil, Equador e Colômbia, com foco na formação de multiplicadores da técnica em seus países de origem.

A AMI é uma abordagem inovadora que utiliza uma única punção para a obtenção de biópsias direcionadas de tecidos. O método permite a coleta rápida e segura de amostras, facilitando a confirmação de doenças infecciosas como a febre amarela, especialmente em locais com infraestrutura limitada. Além disso, apresenta maior aceitação por parte dos familiares, o que amplia sua viabilidade em diferentes contextos culturais.

Durante o curso, os participantes destacaram os desafios enfrentados na investigação de óbitos por doenças infecciosas e o potencial da AMI para reduzir a subnotificação e qualificar os dados de mortalidade. A possibilidade de aplicação da técnica em regiões remotas foi apontada como um avanço estratégico para fortalecer os sistemas nacionais de saúde.

A iniciativa integra os esforços da OPAS para ampliar a capacidade de detecção precoce e de resposta coordenada a surtos na América Latina. “Ao promover a capacitação técnica e a troca de conhecimentos, a FMUSP reforça seu compromisso com a cooperação internacional voltada ao desenvolvimento de soluções inovadoras e sustentáveis em saúde pública na região”, afirma a Profa. Marisa Dolhnikoff, chefe do Departamento de Patologia da FMUSP.

Desde 2024, foram confirmados 441 casos de febre amarela nas Américas, inclusive em áreas sem histórico recente de transmissão, fora da região amazônica. Esse avanço geográfico, aliado à elevada letalidade da doença, reforça a necessidade de aprimorar estratégias de vigilância, diagnóstico e resposta rápida.


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