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A Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e a Secretária Nacional de Políticas sobre Drogas (SENAD), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, firmaram convênio para a execução de pesquisa a respeito da prevalência do uso de álcool, em combinação ou não com outras drogas ilícitas, entre vítimas de mortes violentas necropsiadas nos Institutos Médicos Legais de cinco capitais e mais quatro cidades de cinco diferentes regiões do país. O total do financiamento é de R$ 5,2 milhões de reais. 

A coordenação do estudo será feita pela Profa. Vilma Leyton, do Departamento de Medicina Legal, Ética Médica e Medicina Social e do Trabalho da FMUSP, e pelo Prof. Heráclito Barbosa de Carvalho, do Departamento de Medicina Preventiva da FMUSP. 

“Trata-se do primeiro estudo no âmbito nacional sobre a relação do uso de álcool e/ou drogas com a ocorrência de mortes violentas, em cidades com altos índices de violência”, afirma a Profa. Vilma Leyton. O projeto visa ampliar um estudo anterior realizado pelo Dr. Gabriel Andreuccetti, Pesquisador Colaborador da FMUSP, no qual obteve estimativas de base populacional sobre o contexto de diferentes lesões que resultaram em mortes relacionadas ao uso de uma variedade de drogas utilizando a cidade de São Paulo como modelo. 

“O estudo será desenvolvido no nosso departamento que receberá novos equipamentos, bem como possibilitará o aprimoramento no ensino e pesquisa do nosso grupo de estudos”, diz a Profa. Vilma Leyton.

O Prof. Heráclito Carvalho explica: “o uso de álcool e outras drogas ilícitas está associado à ocorrência de lesões traumáticas, principalmente aquelas relacionadas à violência interpessoal e aos acidentes de trânsito. Exames laboratoriais e achados toxicológicos para diagnostico podem ser requisitados tanto por autoridades policiais como médicos legistas, no entanto, sem obrigatoriedade legal. Sua não solicitação, pelas mais diversas razões – desde cultura local, falta de previsão orçamentária, infraestrutura, entre outras - levam à subnotificação do problema. Como uma das consequências, temos inadequada informação para diagnóstico local e/ou regional para a proposição de ações de prevenção e controle, que devem ser distintas para as diversas regiões do Brasil”. 

Concluindo, o estudo de vítimas fatais (morte violenta) oferece uma grande oportunidade para aprimorar os sistemas de vigilância neste tipo de morte, “que ainda não temos no Brasil, onde se prestará como importante ferramenta de municiamento para elaboração de programas nacionais de prevenção e controle tanto dessas mortes como do panorama do consumo de drogas no país”, conclui o Prof. Heráclito.