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Iniciativa busca aperfeiçoar a acessibilidade no transporte aéreo brasileiro para pessoas com deficiência e mobilidade reduzida 

Um projeto com participação de pesquisadores do Departamento de Fisioterapia, Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional (FOFITO) da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) e da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP-USP) busca aperfeiçoar a acessibilidade no transporte aéreo brasileiro para pessoas com deficiência e mobilidade reduzida por meio da produção de evidências que subsidiem políticas públicas e melhorias no setor. Os resultados foram apresentados durante a 145ª Reunião Ordinária do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (CONADE), realizada de 6 a 8 de julho.

Os primeiros resultados do projeto Aviação Acessível, uma iniciativa do Ministério de Portos e Aeroportos em parceria com a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), reúnem a análise de 360 relatos desde o segundo semestre de 2025 até julho de 2026. As principais barreiras identificadas envolvem comunicação, deslocamento, atendimento e gestão da acessibilidade. Entre as demandas apontadas pelos participantes estão a assistência durante toda a viagem, a oferta de assentos acessíveis, a comunicação inclusiva, a capacitação das equipes e a disponibilidade de equipamentos para embarque e desembarque. 

Segundo a Profa. Dra. Talita Naiara Rossi da Silva, docente da FOFITO e pesquisadora do projeto, os resultados permitem compreender, a partir da experiência dos próprios usuários, os principais desafios enfrentados. "Os relatos produzem um diagnóstico das barreiras presentes em todas as etapas da viagem e também apontam práticas que favorecem a acessibilidade. Essas evidências contribuem para orientar melhorias nos serviços e fundamentar políticas públicas voltadas à inclusão das pessoas com deficiência", diz.

Principais resultados

Os resultados evidenciam que o cenário da aviação civil brasileira ainda é marcado por barreiras – 77,7% dos trechos categorizados nos relatos abordam barreiras nas viagens. Tais barreiras envolvem aspectos relacionados a todas as dimensões da acessibilidade avaliados – gestão, comunicação, uso, deslocamento. “Mais do que estatísticas, os dados obtidos até o momento são evidências concretas da necessidade de políticas públicas, estudos e ações que garantam, de fato, o direito à acessibilidade na aviação civil”, afirma a Profa. Dra. Talita. 

Entre os participantes, 50,5% foram pessoas com deficiência física/motora; 17,8% de pessoas com deficiência auditiva/surdez; 11,6% de pessoas com deficiência visual; 4,3% de pessoas com transtorno do espectro do autismo; 3,8% de pessoas com deficiência intelectual ou mental; e 3,8% de pessoas com mobilidade reduzida.

Inclusão de trabalhadores no setor também faz parte do estudo

Além do estudo com passageiros, a iniciativa desenvolve um estudo inovador sobre a inclusão de trabalhadores com deficiência na aviação civil brasileira. O objetivo é mapear barreiras, identificar oportunidades de inclusão profissional e criar indicadores para acompanhar a evolução da acessibilidade no setor. A formação de estudantes de graduação e pós-graduação em pesquisas voltadas ao direito das pessoas com deficiência ao trabalho, também faz parte da pesquisa.

Pessoas com deficiência, mobilidade reduzida e seus acompanhantes podem contribuir com a pesquisa por meio do envio de relatos de viagens aéreas no site oficial do projeto ou pelo WhatsApp. 

WhatsApp: (16) 99232-9223
Site: aviacaoacessivel.com
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