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Retomada do futebol em São Paulo registrou casos de Covid-19 em 12% dos atletas entre julho e dezembro de 2020, mostra estudo da Faculdade de Medicina da USP

A taxa de infecção pela Covid-19 na retomada do futebol no Estado de São Paulo em 2020 chegou a 12% entre os atletas e 7% entre o pessoal de apoio, com o registro de 25 surtos, com cinco ou mais casos registrados numa mesma equipe em duas semanas. O resultado faz parte de um estudo da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) que analisou mais de 29 mil testes realizados pela Federação Paulista de Futebol (FPF) entre julho e dezembro do ano passado. Segundo o artigo, os números são similares aos encontrados em profissionais da saúde da linha de frente ao redor do mundo, e atestam o enorme risco da abertura do esporte em países como o Brasil, que falharam em controlar a pandemia.

As conclusões da pesquisa são apresentadas em artigo publicado na revista British Journal of Sports Medicine, em 5 de julho. O estudo faz parte do projeto Coalizão Sport-Covid-19, que reúne cientistas de diversos centros com o objetivo de investigar o impacto da Covid-19 na saúde de atletas. “Nosso grupo de pesquisa teve acesso a uma base de dados com mais de 29 mil testes do tipo PCR, realizados em um grupo de 6.500 atletas e pessoal de apoio, que disputaram campeonatos organizados pela Federação Paulista de Futebol (FPF) entre julho e dezembro de 2020”, relata o Professor Bruno Gualano, da FMUSP, primeiro autor do artigo. “Nesse período, houve 662 testes positivos, sendo 501 em atletas".

”A taxa de infecção foi maior em atletas, atingindo 12%, do que no pessoal de apoio, que foi de 7%. “Os casos mais graves, incluindo uma morte, foram observados majoritariamente entre o pessoal de apoio”, destaca Gualano. “Essa incidência de infecção é altíssima quando comparada à de outras ligas que foram retomadas durante a pandemia. Na Alemanha, por exemplo, não houve nenhum caso positivo ao longo do campeonato.”

O estudo conclui que, em países inaptos em controlar minimamente a epidemia, o que, infelizmente, é o caso do Brasil, a abertura do esporte está associada com um risco enorme de infecções.

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