Dicas de leitura: A História da Medicina sob novas perspectivas #01

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Inauguramos hoje uma nova abordagem para as nossas dicas de leitura. Às terças-feiras divulgaremos alternadamente novos estudos sobre a História da Medicina e obras raras que nos ajudam a compreender as transformações ocorridas nas pesquisas, no ensino e no registro histórico sobre as práticas médicas e de Saúde no Brasil. A partir desta perspectiva apresentamos hoje duas obras que promovem importantes reflexões sobre a pandemia de COVID-19. 

O livro “Diário da pandemia: o olhar dos historiadores” foi organizado por Dominichi Miranda de Sá, Gisele Sanglard, Gilberto Hochman e Kaori Kodama e foi publicado pela Editora Hucitec em 2020. A obra reúne registros cotidianos de historiadores sobre a COVID-19 no Brasil e no exterior. Na forma de um diário coletivo, a crise sanitária planetária é analisada à luz da história. A coletânea procura demonstrar que não compreenderemos bem novas epidemias e pandemias sem trabalhos históricos, e, sobretudo, sem pesquisas transdisciplinares especialmente atentas às inter-relações entre sistemas naturais e sociais. As contribuições dos historiadores no livro também abordam hábitos de higiene; relações de gênero e étnico-raciais; biomedicina; saúde pública; meio ambiente; práticas de cuidados e cura; relações internacionais; os interesses dos diversos atores sociais; poder e política; economia e desigualdade; as interseções entre ciência e sociedade; medo, dor, sofrimento e defesa da vida.

Nossa outra indicação é a do livro “Sobre a pandemia: experiências, tempos e reflexões”, organizado por André Mota e publicado pela Editora Hucitec em 2021. A coletânea reúne intelectuais de distintas áreas do pensamento científico, preocupados em traduzir as interações e tensões em torno da pandemia COVID-19. Ao enfrentar os mares revoltos desse tempo presente, em que a existência humana e não humana se defronta, as interpretações elencadas na obra jogam luz sobre as incertezas e os impasses, mas, igualmente, sobre as iniciativas e as retomadas de sentido diante do homem, suas formas de viver, adoecer e, na sua extensão, de sua própria morte. Tempos, pessoas e narrativas se entrecruzam no esforço de constituição possível da retomada da esperança e de um coletivo futuro possível, mesmo que esteja tatuado em nossas mentes o desafio que Hanna Arendt pressagiou para a sociedade que se inscrevia no século XX: “Nossa herança nos foi deixada sem nenhum testamento”.

Obras:

SÁ, Dominichi Miranda de; SANGLARD, Gisele; HOCHMAN, Gilberto; KODAMA, Kaori (Orgs.). Diário da pandemia: o olhar dos historiadores. São Paulo: Hucitec, 2020.

MOTA, André (Org.). Sobre a pandemia: experiências, tempos e reflexões. São Paulo: Hucitec, 2021.