Dicas de leitura: A História da Medicina sob novas perspectivas #04

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Compreender a historicidade das doenças, das epidemias e das políticas públicas formuladas para combate-las é um dos desafios mais importantes para aqueles que se dedicam a perscrutar a história da Medicina e da Saúde. Por isso apresentamos em nossa dica de leitura de hoje novos estudos que trazem importantes reflexões sobre a história de duas enfermidades que tiveram presença destacada entre a população brasileira: as Leishmanioses e a Malária. 

O livro “Uma História das Leishmanioses no Novo Mundo (fins do século XIX aos anos 1960)”, de Jaime Larry Benchimol e Denis Guedes Jogas Junior, foi lançado pelas editoras Fino Traço e Fiocruz em 2020. O livro analisa a extensa e intensa trajetória dos estudos sobre as leishmanioses no Brasil, englobando a descoberta de seus agentes etiológicos, as diversas espécies de leishmânias associadas às diferentes formas clínicas da doença, seus hospedeiros reservatórios e os flebotomíneos vetores, bem como aspectos da epidemiologia e ações de controle implementadas em contextos sociopolíticos e momentos diversos. A obra traz à luz alguns aspectos pouco conhecidos desta história, inclusive os bastidores das articulações, dos planos de trabalho de pesquisadores e os impactos que seus estudos tiveram à época de sua realização, assim como as implicações para estudos subsequentes em diferentes regiões do Brasil. Ao mesmo tempo, busca contextualizar a história do surgimento de importantes instituições de pesquisa pelo país e o início dos programas de controle das leishmanioses.

A epidemia de Malária, por sua vez, é o tema central do livro “O Feroz Mosquito Africano no Brasil: o Anopheles gambiae entre o silêncio e a sua erradicação (1930-1940)”, de Gabriel Lopes, publicado pela editora Fiocruz em 2020. O livro desenvolve uma narrativa histórica sobre a chegada, alastramento e erradicação do Anopheles gambiae, que teve origem em Dacar, capital do Senegal, e foi registrado pela primeira vez no Brasil no Rio Grande do Norte. O mosquito causou uma epidemia de malária sem precedentes no Brasil no início dos anos 1930 e, após esforços cooperativos entre o governo brasileiro e a Fundação Rockefeller, foi erradicado em 1940. Transmissor da forma mais letal da doença, segundo o autor, o vetor teria viajado da África para o Nordeste brasileiro graças à modernização dos transportes aéreos, que passaram a ser uma preocupação das autoridades. A obra aborda, também, as condicionantes políticas, sociais e ecológicas que permitiram que o mosquito se espalhasse pela região Nordeste do país, incluindo questões como o ritmo das chuvas e os períodos de seca. 

Obras: 

BENCHIMOL, Jaime; JOGAS JUNIOR, Denis. Uma História das Leishmanioses no Novo Mundo (fins do século XIX aos anos 1960). Belo Horizonte / Rio de Janeiro: Fino Traço / Fiocruz, 2020. 

LOPES, Gabriel.  O Feroz Mosquito Africano no Brasil: o Anopheles gambiae entre o silêncio e a sua erradicação (1930-1940). Rio de Janeiro: Fiocruz, 2020.